Sardinhas
Gosto de sardinhas duas vezes por ano, talvez. E, quando me apetece, escolho um restaurante que me é aconselhado e onde, garantem, são frescas e assadas «como manda a lei».
Foi o que fiz na semana passada: ambiente agradável, clientes bem-dispostos, sem exigências nem pressas, apesar de já haver uma fila considerável à espera de mesa.
De repente, alguém que presumo ser o patrão, começou a levantar a voz, invectivando duas das empregadas que, no seu entender, não estariam a trabalhar «com a cabeça». Uma delas, cujos olhos e cabelos negros não escondiam a origem, continuou, com uma elegância extraordinária a fazer o seu trabalho, mas eu vi-lhe o olhar doce e triste...
Ao contrário do que me aconteceu no Algarve, numa outra ocasião, não me levantei, não fui ter com ela, não quis perturbar mais ainda os que estavam comigo, mas as sardinhas perderam o gosto.
Naturalmente, não voltarei ao mesmo restaurante, mas isso não é importante: é a imagem daquela menina que podia ser minha neta. Essa não me abandonou, como também não esqueço a brutalidade de alguém que se acha no direito de humilhar quem trabalha!
Falhei, como falhámos todos aqueles que assistimos sem reagir. Não é a minha história mais bonita.

De facto a liderança exige também educação. Não se deve confundir liderança com boçalidade.